18 jun Sou autista, sou defiça: acessibilidade é meu direito!

A campanha nacional de 2025 da ABRAÇA reafirma um princípio fundamental: autistas são pessoas com deficiência, com direitos assegurados pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) e pela Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015). Em um momento em que discursos segregacionistas têm se intensificado e tentam dissociar o autismo das demais deficiências, a campanha busca reposicionar o autismo dentro do modelo social da deficiência, defendendo o direito à acessibilidade plena.
Sob o slogan “Sou autista, sou defiça. Acessibilidade é meu direito!“, a campanha alerta para os retrocessos que ameaçam as conquistas da inclusão. Propostas legislativas que confundem integração com inclusão, iniciativas que criam espaços segregados para pessoas autistas e o reforço de práticas excludentes — como a medicalização e a busca por padronização de comportamentos — violam o direito à participação plena na sociedade. A campanha também destaca que a acessibilidade para pessoas autistas vai além das barreiras físicas: envolve comunicação acessível, ambientes sensorialmente adequados e mudanças de atitude.
Eixo 1 – Autismo é deficiência
Pessoas autistas são pessoas com deficiência, como preconiza a CDPD, que entende a deficiência como o resultado da interação de indivíduos com características que se afiguram como impedimentos de longo prazo com barreiras (arquitetônicas, comunicacionais e atitudinais) que limitam a participação plena e efetiva na sociedade. Negar que o autismo é uma deficiência ou tratar o autismo como algo “à parte” compromete o acesso a direitos já conquistados, como o direito à acessibilidade, à educação inclusiva e à proteção contra a discriminação. A campanha reafirma: autismo é deficiência, com todas as implicações legais, políticas e sociais que isso representa.
Eixo 2 – Acessibilidade em todos os aspectos
A acessibilidade para pessoas autistas não se limita à permissão da presença destes nos ambientes. Ela deve englobar a derrubada das barreiras, sejam essas comunicacionais, com linguagem compreensível e clara; sensoriais, com a criação de ambientes que respeitem os limites e necessidades das pessoas autistas; ou atitudinais, por meio do respeito, do real acolhimento e da recusa de práticas segregadoras. Incluir pessoas autistas é garantir que possam participar plenamente da vida social, educacional, cultural e profissional com os apoios e ajustes razoáveis de que precisam.
Eixo 3 – A importância da interseccionalidade para acessar direitos
Nenhuma política pública é realmente inclusiva se não levar em conta as múltiplas camadas que atravessam a vida de uma pessoa. Pessoas autistas negras, indígenas, amarelas, ciganas, LGBTQIAPN+, mulheres, moradoras de periferias, ribeirinhas, aldeiadas,nomades ou de áreas rurais enfrentam barreiras adicionais para acessar direitos básicos. Reconhecer essas interseccionalidades é essencial para garantir justiça e equidade na formulação de políticas e na implementação de acessos. A inclusão que defendemos é para todas as pessoas autistas — especialmente as mais vulnerabilizadas.
A ABRAÇA convida a sociedade, os formuladores de políticas públicas, os meios de comunicação e a comunidade autista a reafirmar o compromisso com os direitos humanos das pessoas com deficiência, garantindo que nenhuma pessoa autista seja deixada para trás — independentemente de seu nível de suporte, território ou condição social. A luta por acessibilidade é coletiva, interseccional e urgente.
Grupo de trabalho da Campanha:
Adriana Torres
Camila Jasmim
Gaaby Pereira
Fernanda Santana
Fernanda Costa
Gisele Salgado
Ibrahim Guilherme
Jéssica Borges
Marcela Santos
Mariene Martins
Nathalya Tukamoto
Ronny Egídio
William J. Silva